Declaração do artista

 

O processo criativo de Isaías Agustini atravessa linguagens. Ele produz obras visuais da mesma forma que escreve letras e compõe música. Para ele, criar uma coleção é como escrever um EP ou um álbum: cada obra funciona como uma faixa — autônoma, mas pensada dentro de um corpo maior, com ritmo, pausas, tensões e silêncios.

 

Seu ponto de partida são estados mentais e emocionais específicos. Não há a busca por respostas fechadas, mas pela convivência com a ambivalência — um espaço onde sentimentos contraditórios coexistem e onde o observador encontra margem para projetar suas próprias experiências. A obra não se encerra no artista; ela se completa no outro.

 

Sua formação e vivência na marca do seu irmão Germano Agustini, colocaram Isaías em contato com uma arte imperfeita, pós-moderna e surrealista, que abriu caminho para a construção de um universo próprio. A partir dessas referências, ele passou a mesclar teoria e intuição a um processo profundamente íntimo: um cômodo interno onde organiza pensamentos, sentimentos e memórias, dissecando essas camadas como se fosse ele mesmo a cobaia do que emerge desse confronto.

 

The Room surge como a materialização desse espaço interno. É um lugar simbólico onde tudo acontece — onde emoções são expostas, reorganizadas e tensionadas. Mais do que um conceito expositivo, trata-se de um método contínuo de criação.

 

O site e o projeto, em parceria com seu namorado Vinícius Cota, também nascem de uma necessidade pessoal: experimentar a visita a uma galeria de arte moderna à distância. Vivendo em um contexto onde esse tipo de experiência não está disponível fisicamente, Isaías busca criar um ambiente digital que, mesmo mediado por uma tela, ofereça sensação de presença, envolvimento e pausa — como entrar em uma sala silenciosa e permanecer ali tempo suficiente para escutar o que a obra tem a dizer.

 

A forma muda. O que nos impacta permanece.